Meu parto foi antecipado e Pré-eclâmpsia: entre o medo de morrer e a alegria de conhecer minha filha

Pré-eclâmpsia e parto antecipado: entre o medo de morrer e a alegria de conhecer minha filha

⏱️ Tempo de leitura: 12 a 15 minutos

Senta que lá veeem história…

Minha experiência com hipertensão crônica, pré-eclâmpsia sobreposta, restrição de crescimento fetal e o nascimento da Eva com 37 semanas e 3 dias.

Existem lembranças que o tempo não apaga.

Só de começar a escrever sobre o nascimento da minha filha, sinto um nó na garganta. As lágrimas escorrem e, junto com elas, voltam sentimentos que parecem contraditórios: ansiedade, felicidade, preocupação, gratidão e, principalmente, medo.

Eu tive muito medo.

Medo de morrer e não poder estar com a Eva. Medo de sobreviver e não ter minha filha comigo.

Minha filha nasceu no dia 8 de dezembro de 2025, com 37 semanas e 3 dias de gestação. Foi o dia mais tenso da minha vida e, ao mesmo tempo, o mais feliz.

Mas, para contar como ela chegou ao mundo, preciso voltar algumas semanas.

Quando a gravidez começou a exigir cada vez mais cuidados

Minha data provável do parto era 26 de dezembro de 2025.

Eu desejava que a Eva pudesse permanecer na minha barriga até mais perto dessa data, desde que fosse seguro para nós duas. Queria que ela tivesse todo o tempo possível para continuar se desenvolvendo.

Mas minha gravidez não seguiu exatamente como eu imaginava.

Eu tinha hipertensão crônica, uma condição que exige acompanhamento especial durante a gestação, porque pode aumentar o risco de complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.

A pressão arterial se tornou uma preocupação constante.

Foram muitas consultas, exames e idas ao hospital. Algumas aconteceram em dias seguidos. Houve momentos em que eu saía de uma consulta de pré-natal e precisava ir diretamente para uma avaliação hospitalar.

Minha vida parecia girar em torno dos números do aparelho de pressão.

E não eram apenas os números que me assustavam.

Era tudo o que eles poderiam significar.

O medo que me acompanhava até na hora de dormir

Lembro de quantas noites me deitei preocupada, sem saber como seria o dia seguinte.

Havia momentos em que a Eva se movimentava menos e eu ficava desesperada, imaginando se alguma coisa poderia estar acontecendo.

Eu tinha medo de não acordar.

Medo de alguma complicação acontecer enquanto dormia.

Medo de perder minha filha.

O Davi esteve comigo durante todo esse período. Seu apoio foi importante, mas havia sentimentos que ninguém poderia experimentar exatamente como eu.

Até hoje, o som do aparelho de pressão me causa aflição.

Aquele barulhinho me transporta de volta para os dias em que eu precisava verificar a pressão repetidamente, esperando que os números estivessem melhores.

É impressionante como uma experiência pode continuar presente mesmo depois de tudo ter passado.

Quando a pressão alta deixou os médicos preocupados

Em novembro, a situação exigiu uma avaliação ainda mais cuidadosa.

No dia 19, durante uma consulta especializada, minha pressão arterial estava muito elevada. Os médicos precisavam investigar se era uma piora da hipertensão crônica ou se eu estava desenvolvendo uma complicação chamada pré-eclâmpsia sobreposta.

Naquela avaliação, os exames de sangue não apresentavam alterações importantes nas plaquetas, nos rins ou no fígado. O ultrassom também mostrava resultados tranquilizadores naquele momento.

Mas a pressão continuava preocupante.

A equipe recomendou avaliação hospitalar, monitoramento e ajustes nos medicamentos.

Foi mais uma daquelas situações em que uma consulta que deveria ser apenas de acompanhamento se transformou em uma nova preocupação.

O que é pré-eclâmpsia sobreposta?

A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez que geralmente surge depois das 20 semanas e pode afetar diferentes órgãos, incluindo rins, fígado e cérebro.

Ela envolve pressão arterial elevada e pode provocar outras alterações clínicas ou laboratoriais.

Quando uma mulher já tinha hipertensão crônica e desenvolve pré-eclâmpsia durante a gestação, a condição é chamada de pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica.

Isso significa que não estamos falando apenas de uma pressão alta que já existia antes da gravidez.

Existe uma complicação adicional que precisa ser investigada e acompanhada cuidadosamente.

A pré-eclâmpsia pode apresentar sinais como dor de cabeça persistente, alterações visuais, dor na parte superior do abdômen e falta de ar. Mas nem todas as mulheres apresentam os mesmos sintomas.

Cada gestação precisa ser avaliada a partir do conjunto de sintomas, exames, pressão arterial e condições maternas e fetais.

As internações e as injeções para ajudar os pulmões da Eva

Durante uma das internações, a equipe médica explicou que seria necessário administrar um medicamento para ajudar na maturação dos pulmões da Eva, caso ela precisasse nascer antes do previsto.

Lembro daquele momento com muita emoção.

Chorei muito.

Senti muita dor com o medicamento.

A possibilidade de um nascimento antecipado estava deixando de ser apenas uma preocupação distante.

Ela estava se tornando real.

O medicamento registrado no meu prontuário era a betametasona, conhecida em inglês como betamethasone.

Para que serve a betametasona na gravidez?

A betametasona é um corticosteroide, também chamado de esteroide.

Quando existe risco significativo de parto prematuro, ela pode ser administrada à gestante para acelerar a maturação dos pulmões do bebê e reduzir determinadas complicações respiratórias após o nascimento.

Um esquema comum utiliza duas injeções intramusculares, separadas por 24 horas.

Esse tratamento não significa necessariamente que o bebê nascerá naquele momento. Significa que a equipe está tentando se preparar para a possibilidade de um nascimento antes do esperado.

Também não garante que o recém-nascido não precisará de cuidados respiratórios.

As recomendações dependem da idade gestacional, do risco de parto e das condições clínicas. Por isso, a betametasona não é indicada rotineiramente para todas as gestantes.

No meu caso, lembro de ter recebido duas aplicações que doeram absurdamente.

E, embora soubesse que o objetivo era ajudar minha filha, aquele período foi emocionalmente muito difícil.

Eu só queria que ela estivesse bem.

Quando me disseram que a Eva nasceria com 37 semanas

Inicialmente, eu esperava que a Eva chegasse perto do dia 26 de dezembro.

Depois, os médicos explicaram que seria mais seguro antecipar o nascimento para aproximadamente 37 semanas.

Fiquei preocupada.

Eu desejava que ela permanecesse mais tempo na minha barriga, mas também tinha medo dos riscos de continuar grávida com a pressão tão difícil de controlar.

Em determinado momento, a cesárea ficou prevista para sexta-feira, 12 de dezembro.

Porém, os planos mudariam novamente.

Nascer com 37 semanas é prematuridade?

Não.

Segundo a classificação adotada pelo American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), um bebê que nasce entre 37 semanas completas e 38 semanas e 6 dias está no período chamado termo inicial, ou early term.

A partir de 39 semanas, a gestação é considerada de termo completo.

Em uma gravidez sem complicações, evitar um parto eletivo antes das 39 semanas ajuda a reduzir riscos para o recém-nascido.

Mas existem situações em que continuar a gestação pode representar um risco maior do que antecipar o nascimento.

Pré-eclâmpsia, hipertensão crônica complicada e restrição de crescimento fetal estão entre as condições que podem justificar essa decisão.

O objetivo não é simplesmente manter o bebê na barriga pelo maior tempo possível, mas encontrar o momento mais seguro para a mãe e para o bebê.

8 de dezembro: fui para uma consulta e não voltei para casa

Era uma segunda-feira.

Eu fui realizar uma avaliação de rotina para verificar como a Eva estava.

Durante o exame, eu conseguia ouvir os batimentos cardíacos dela.

Mas havia algo que preocupava a equipe.

A Eva não estava apresentando os movimentos esperados naquele momento.

Lembro de a profissional me oferecer água e algo doce para comer. Ela também perguntou se eu havia tomado café da manhã.

Eu escutava o coração da minha filha e tentava me tranquilizar.

Mas, depois, me orientaram a procurar o hospital para uma avaliação mais detalhada.

Meu medo voltou com toda a força.

Eu já havia passado por tantas situações semelhantes que aquela recomendação trouxe novamente a sensação de que alguma coisa poderia estar errada.

E, dessa vez, eu não voltaria para casa ainda grávida.

O que são NST e perfil biofísico fetal?

Durante a gravidez, especialmente nas gestações de maior risco, os médicos podem solicitar exames para avaliar o bem-estar do bebê.

O NST (nonstress test), chamado de cardiotocografia basal ou teste sem estresse, acompanha a frequência cardíaca fetal e observa como ela se comporta ao longo do exame.

O perfil biofísico fetal (BPP) combina avaliações do bem-estar do bebê, geralmente por ultrassom, podendo incluir movimentos corporais, movimentos respiratórios, tônus e quantidade de líquido amniótico, além do monitoramento cardíaco conforme o protocolo utilizado.

Ouvir os batimentos cardíacos é importante, mas não é a única informação analisada.

Um resultado que exige avaliação adicional não significa automaticamente que o bebê esteja em sofrimento grave. Significa que a equipe precisa investigar melhor a situação.

Foi nesse contexto que precisei seguir para o hospital.

A notícia que eu mais temia: o parto seria naquele dia

No hospital, fui submetida a novas avaliações.

Minha pressão arterial continuava sendo uma preocupação importante.

A equipe também estava avaliando o bem-estar da Eva e seu crescimento.

Foi quando recebi a notícia de que não seria seguro esperar até a sexta-feira.

A médica explicou que o parto precisaria acontecer naquele dia ou, no máximo, na manhã seguinte.

Eu não sairia daquele hospital ainda grávida.

A Eva nasceria.

E eu estava apavorada.

Por que minha filha precisava nascer antes?

Os registros médicos do nascimento mencionam três condições importantes:

Hipertensão crônica: a pressão alta que eu já apresentava e que estava exigindo tratamento e monitoramento intensivos.

Pré-eclâmpsia sobreposta: uma complicação adicional desenvolvida durante a gestação, aumentando a preocupação com minha saúde.

Restrição de crescimento fetal: uma condição em que o bebê não atinge o crescimento esperado para sua idade gestacional, exigindo investigação e acompanhamento.

É importante compreender que um bebê pequeno não tem, necessariamente, restrição de crescimento fetal. O diagnóstico depende de critérios obstétricos e da avaliação médica.

Na minha gravidez, essa condição foi registrada pela equipe responsável pelo nascimento da Eva.

A combinação dos problemas maternos e das preocupações fetais levou à decisão de antecipar o parto.

Por que escolhi a cesárea?

Em um primeiro momento, foi discutida a possibilidade de indução do parto.

Mas eu estava emocionalmente esgotada.

Já havia passado por tantas idas ao hospital, tantas preocupações com a pressão e tanto medo de perder minha filha que não me sentia preparada para enfrentar uma indução possivelmente prolongada.

Eu tinha receio de passar dias tentando um parto vaginal e, no final, precisar de uma cesárea.

Também lembrava da experiência da minha irmã, que havia enfrentado pré-eclâmpsia e precisado dar à luz com aproximadamente 35 semanas.

Tudo isso fazia parte dos meus medos.

Conversei com os médicos e manifestei minha preferência pela cesárea.

Os riscos e benefícios foram discutidos comigo e com o Davi.

Quero deixar uma informação muito clara: pré-eclâmpsia não significa que toda gestante precisa obrigatoriamente de uma cesárea.

A via de parto depende das condições da mãe, do bebê, da urgência e de outros fatores obstétricos.

No meu caso, a decisão aconteceu dentro de uma situação clínica delicada e também considerou minhas preferências.

Não foi uma escolha feita sem medo.

Foi uma escolha feita enquanto eu sentia muito medo.

“Se tiver que escolher entre mim e minha filha, escolha a Eva”

Existe uma lembrança daquele dia que ainda me emociona profundamente.

Quando a médica explicou a gravidade da situação e a necessidade de antecipar o parto, eu disse que, se fosse necessário escolher entre salvar minha vida e a da Eva, ela deveria escolher minha filha.

Eu disse que já havia vivido muito tempo.

Hoje, quando penso nisso, consigo perceber o tamanho do meu desespero.

Não era uma decisão médica que eu pudesse determinar daquela maneira.

Era uma mãe assustada, com medo de perder sua filha, tentando expressar o quanto desejava que ela sobrevivesse.

A médica procurou me tranquilizar.

Mas eu não conseguia simplesmente desligar o medo.

Eu pensava nas histórias de mulheres que perderam seus bebês, nas complicações que poderiam acontecer e em tudo o que ainda não sabia.

Eu queria conhecer minha filha.

Queria vê-la respirar, ouvir seu choro e segurá-la nos braços.

O nascimento da Eva

No dia 8 de dezembro de 2025, às 20h09, a Eva nasceu por cesárea.

Ela estava com 37 semanas e 3 dias de gestação e pesava 2.540 gramas.

Os registros médicos mostram Apgar 8 no primeiro minuto e 9 no quinto minuto, indicadores utilizados para avaliar a adaptação inicial do recém-nascido.

Também foi registrada uma volta do cordão umbilical ao redor do pescoço, conhecida como circular de cordão. Esse achado é relativamente comum e, por si só, não significa que tenha provocado sofrimento fetal.

Depois de tantas semanas de preocupação, finalmente conheci minha filha.

E aquela alegria…

Meu Deus, que alegria!

O dia mais tenso da minha vida também se tornou o mais feliz.

Eu finalmente podia olhar para a Eva.

Ela estava ali.

Minha filha.

Tão esperada, tão desejada, tão amada.

Os primeiros momentos com a Eva que eu tanto desejei viver

Existe uma parte do nascimento da Eva que, até hoje, me causa uma tristeza profunda.

Durante a gravidez, eu havia manifestado dois desejos importantes para o parto: realizar o contato pele a pele com minha filha logo após o nascimento e, se as condições permitissem, fazer o clampeamento tardio do cordão umbilical.

Eu queria viver aqueles primeiros instantes com ela.

Depois de tantas semanas de medo, consultas e internações, imaginava o momento de finalmente sentir minha filha sobre meu peito.

Mas não aconteceu como eu esperava.

Lembro da médica dizendo que a Eva estava prestes a nascer.

Lembro da espera.

E lembro do instante em que finalmente a vi.

Quando a médica a ergueu, estendi minha mão em sua direção.

Eu chorava muito.

Queria que me entregassem minha filha.

Queria tocá-la, senti-la, acolhê-la.

Naquele momento, depois de tanto medo de perdê-la, tudo o que eu mais desejava era tê-la pertinho de mim.

Mas o contato pele a pele que eu havia pedido não aconteceu.

E também não tive o clampeamento tardio do cordão como havia solicitado.

O que mais me entristece é que não me lembro de ter recebido uma explicação sobre essas decisões.

Eu estava extremamente exausta, sob efeito de muitos medicamentos, depois de tudo o que havia enfrentado durante a gravidez e naquele dia.

Consigo lembrar claramente do momento em que vi a Eva pela primeira vez.

Mas existem muitos outros instantes dos quais não consigo me recordar com nitidez.

E isso dói.

Porque são momentos que eu esperei durante toda a gestação e que nunca poderão acontecer novamente da mesma maneira.

Às vezes, sinto como se tivessem sido roubados de mim.

Não estou dizendo que minha saúde ou a segurança da Eva deveriam ter sido colocadas em risco para atender aos meus desejos.

Se havia alguma contraindicação, eu gostaria de ter compreendido.

O que me machuca é não saber por que aqueles momentos não aconteceram.

É lembrar de mim mesma chorando, com a mão estendida, querendo receber minha filha.

Por que o contato pele a pele é importante?

O contato pele a pele consiste em colocar o recém-nascido diretamente sobre o peito da mãe, geralmente logo após o nascimento, quando ambos apresentam condições clínicas para isso.

Essa prática pode ajudar na regulação da temperatura do bebê, favorecer o início da amamentação, promover estabilidade fisiológica e contribuir para o vínculo entre mãe e filho.

Em muitos casos, ela também pode ser realizada após uma cesárea, com os cuidados e a supervisão necessários.

Entretanto, situações que exigem estabilização ou atendimento imediato da mãe ou do recém-nascido podem tornar necessário adiar esse contato.

Quando isso acontece, é importante que a família receba informações claras e que o contato seja facilitado assim que houver segurança.

E o que é o clampeamento tardio do cordão umbilical?

O clampeamento tardio consiste em aguardar um período após o nascimento antes de pinçar e cortar o cordão umbilical.

Essa espera permite uma transferência adicional de sangue da placenta para o bebê e pode contribuir para suas reservas de ferro.

Para recém-nascidos vigorosos, o ACOG recomenda, em geral, aguardar pelo menos 30 a 60 segundos, quando não houver contraindicação.

Mas existem circunstâncias em que a equipe pode precisar agir de outra maneira.

No meu caso, ainda gostaria de compreender o que motivou as decisões tomadas.

Um parto seguro também precisa considerar a experiência da mãe

Hoje, quando olho para a Eva, sinto uma alegria e uma gratidão imensas.

Mas isso não significa que eu tenha deixado de sentir tristeza por aqueles primeiros momentos.

Posso agradecer pela vida da minha filha e, ao mesmo tempo, lamentar experiências que desejava ter vivido.

Uma coisa não anula a outra.

Não quero que minha história seja interpretada como uma oposição aos cuidados médicos que recebemos.

Quero apenas lembrar que, por trás de cada prontuário, existe uma mulher com expectativas, sentimentos, medos e desejos.

E que, mesmo quando os planos precisam mudar por razões médicas, a comunicação, o respeito e o acolhimento continuam sendo importantes.

Eu não posso voltar àquele dia. Mas posso contar o que vivi e dar voz aos sentimentos que ficaram.

O nascimento da Eva não encerrou a minha agonia

Quando finalmente conheci minha filha, senti uma felicidade que não consigo descrever.

Mas o nascimento dela não significou que tudo estava resolvido.

Eu e a Eva permanecemos internadas por aproximadamente cinco dias. E, embora minha filha já estivesse nos meus braços, aqueles dias também foram muito difíceis.

Minha pressão arterial continuava sendo uma preocupação. Eu recebia muitos medicamentos, inclusive pela veia, e me sentia completamente dopada.

Era uma sensação difícil de explicar.

Lembro de sentir como se meu corpo travasse repetidamente, em intervalos muito curtos. Parecia que eu apagava e acordava, sem conseguir descansar de verdade.

Havia momentos em que eu finalmente conseguia dormir, mas precisava acordar novamente para receber medicamentos, passar por avaliações ou esperar que minha pressão se estabilizasse.

Era um ciclo de cansaço, dor, preocupação e exaustão.

Eu tinha acabado de passar por uma cesárea. Meu corpo precisava se recuperar, mas eu sentia que não conseguia descansar.

Ao mesmo tempo, estava começando a conhecer minha filha, aprender a cuidar dela e viver os primeiros dias da maternidade.

E tudo isso acontecia enquanto minha própria saúde ainda exigia atenção.

Hoje, quando penso naquela internação, percebo como é possível sentir uma alegria imensa e um sofrimento profundo ao mesmo tempo.

Eu estava profundamente feliz por ter a Eva comigo.

Mas também estava exausta, assustada e fisicamente debilitada.

Por que a recuperação da pré-eclâmpsia pode ser tão difícil?

O parto é uma etapa importante do tratamento da pré-eclâmpsia, mas a recuperação não acontece necessariamente de maneira imediata.

A pressão arterial pode continuar elevada ou até piorar nos primeiros dias depois do nascimento.

Algumas mulheres precisam permanecer internadas por mais tempo, receber medicamentos intravenosos e passar por monitoramento frequente.

Entre os medicamentos utilizados em determinadas situações está o sulfato de magnésio, cuja principal finalidade, nos casos de pré-eclâmpsia grave, é prevenir convulsões.

Esse medicamento pode provocar sensação de calor, fraqueza, sonolência e mal-estar. Outros medicamentos, a recuperação da cirurgia e a privação de sono também podem contribuir para o cansaço.

Entretanto, não seria correto atribuir todas as sensações que tive a um único medicamento sem analisar os registros completos de administração e as avaliações realizadas naquele período.

O que posso afirmar é como me senti.

E aqueles dias foram extremamente difíceis.

Nem toda mãe volta para casa logo depois do parto

Antes de viver essa experiência, eu não imaginava como seria difícil enfrentar complicações de saúde enquanto começava a cuidar de um recém-nascido.

Às vezes, quando ouvimos uma história de nascimento, tudo parece terminar no momento em que o bebê chega.

Mas a história da mãe continua.

Seu corpo continua precisando de cuidados.

Sua saúde continua importando.

E, no meu caso, foram necessários mais alguns dias no hospital antes de finalmente podermos voltar para casa.

O nascimento da Eva foi o momento mais feliz da minha vida.

Mas isso não apaga o sofrimento que vivi antes e depois dele.

Eu posso ser profundamente grata por ter minha filha nos braços e, ao mesmo tempo, reconhecer o quanto aqueles dias foram dolorosos.

Quando a experiência continua presente depois de meses

Hoje, dez meses depois, ainda me emociono quando lembro daqueles dias.

Às vezes, basta ouvir o aparelho de pressão para sentir novamente aquela aflição.

E há momentos em que penso nas coisas que vivi, na solidão que senti e em como algumas pessoas podem julgar experiências que não acompanharam de perto.

É fácil olhar para uma mãe com seu bebê saudável nos braços e imaginar que tudo ficou para trás.

Mas nem sempre fica.

Eu sei quantas noites passei com medo.

Sei quantas vezes chorei.

Sei o que senti quando me disseram que minha filha precisaria nascer antes do previsto.

Sei o que vivi durante os dias de internação.

E sei também a alegria que senti quando finalmente pude conhecê-la.

Não preciso escolher entre reconhecer meu sofrimento e agradecer pelo nascimento da Eva.

As duas coisas fazem parte da minha história.

O que eu gostaria que outras gestantes soubessem

Compartilho essa experiência não para assustar outras mães, mas porque acredito que o conhecimento pode amenizar muitos medos.

A hipertensão na gravidez precisa ser acompanhada cuidadosamente.

A pré-eclâmpsia nem sempre apresenta os sinais que imaginamos.

Exames laboratoriais inicialmente normais não eliminam a necessidade de investigar uma pressão arterial muito elevada.

Mudanças nos movimentos do bebê merecem atenção e avaliação.

E um parto antecipado por indicação médica não significa que a gestante ou a equipe tenha desistido de esperar: significa que, diante de determinadas complicações, pode ser mais seguro antecipar o nascimento.

Também gostaria que mais pessoas compreendessem que uma mãe pode viver um parto com um desfecho feliz e ainda carregar lembranças emocionalmente difíceis.

A recuperação não é apenas física.

Minha reflexão: o dia mais tenso e mais feliz da minha vida

Se existe algo que aprendi com tudo isso, é que nem sempre conseguimos viver a maternidade da maneira que imaginamos.

Podemos planejar, pesquisar, estudar e nos preparar.

Mas existem momentos em que precisamos lidar com situações que estão além do nosso controle.

Hoje, quando olho para a Eva, sinto uma gratidão que mal consigo colocar em palavras.

Sempre digo a ela o quanto é abençoada e a menina dos olhos de Deus.

Minha filha é um presente imenso na minha vida.

E talvez seja por isso que escrever essa história seja tão difícil.

Porque, para contar a alegria de conhecê-la, também preciso revisitar o medo que senti de perdê-la.

Mas quero que essa história fique registrada.

Não apenas como um relato sobre hipertensão, pré-eclâmpsia ou cesárea.

Quero que fique registrada como a história de uma mãe que sentiu muito medo, enfrentou dias difíceis e descobriu uma alegria que transformou sua vida.

O conhecimento pode amenizar os medos. Mas também precisamos aprender a acolher os sentimentos que permanecem depois que o perigo passou.

Devagar e sempre, seguimos descobrindo juntas. 💜


Glossário simples

Hipertensão crônica: pressão alta que já existia antes da gravidez ou foi identificada antes das 20 semanas.

Pré-eclâmpsia sobreposta: pré-eclâmpsia desenvolvida em uma gestante com hipertensão crônica.

Restrição de crescimento fetal: condição em que o crescimento do bebê está abaixo do esperado segundo critérios obstétricos.

Betametasona: corticosteroide utilizado em determinadas situações para acelerar a maturação pulmonar fetal antes de um possível parto prematuro.

NST: teste de monitoramento da frequência cardíaca fetal.

BPP: perfil biofísico fetal, avaliação do bem-estar do bebê por ultrassom e, conforme o protocolo, monitoramento cardíaco.

Sulfato de magnésio: medicamento utilizado, entre outras indicações, para prevenir convulsões em casos de pré-eclâmpsia grave.

Apgar: avaliação realizada após o nascimento, geralmente no primeiro e no quinto minuto, para verificar a adaptação inicial do recém-nascido.

Continue descobrindo juntas

A maternidade é feita de experiências que nem sempre acontecem como imaginamos. Algumas nos transformam profundamente e outras nos ajudam a compreender sentimentos que nem sabíamos que existiam.

Se você se identificou com essa história, quero convidar você a conhecer também outro relato que compartilhei aqui no blog.

Leia também: A maternidade deixou de ser apenas algo que eu pesquisava e passou a ser algo que eu vivo diariamente.

Fontes e leituras recomendadas

Este artigo reúne minha experiência pessoal, informações documentadas nos meus registros médicos e explicações educativas baseadas em fontes científicas. Não substitui orientação médica individual.

Com carinho,

Larissa 💜

Descobrindo Juntas

www.DescobrindoJuntas.com

@BlogDescobrindoJuntas

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