⏱️ Tempo de leitura: aproximadamente 5 minutos.
Sobre amar ser mãe e chegar ao limite depois de tantas noites sem descanso.
Esta manhã, eu desabei.
A Eva chorava, e eu comecei a chorar também. Eu já estava com dor no corpo, nas mãos, nos braços. Tinha passado mais uma noite acordando várias vezes, dando peito, pegando no colo, tentando colocá-la no berço e começando tudo outra vez.
Quando a manhã chegou, eu ainda precisava dormir. Mas havia um dia inteiro pela frente.
Mais uma manhã depois de uma noite difícil
Ela acordava chorando, me puxava, queria peito, queria colo. Eu a tirava do berço, colocava na cama, tentava o berço de novo. Ela chorava. E aquele movimento se repetia enquanto o meu corpo doía e o cansaço parecia ocupar tudo.
Até que eu também chorei, chorei e chorei…
Já chorei outras vezes de cansaço, de fome, de culpa, de me sentir sozinha, de sentir que estava difícil. Mas essa foi uma das vezes mais intensas. No fundo, eu tinha vontade de gritar. Gritar pelas circunstâncias, pela exaustão acumulada, por precisar tanto descansar e continuar sendo tão necessária para esse serzinho que amo mais que tudo na vida.
É difícil colocar isso em palavras porque, junto com o choro, veio a culpa.
Eu amo ser mãe da Eva. Amo estar com ela no dia a dia. Amo acompanhar cada conquista, cada aprendizado, cada coisa nova que ela descobre. Eu gosto de viver essa maternidade com ela.
E, nesta manhã, eu cheguei ao meu limite.
Escrever essas duas coisas juntas ainda mexe comigo. Porque eu sinto esse amor todos os dias e também sinto o peso das noites interrompidas, das dores e de tantas horas cuidando.
Em um momento, enquanto eu chorava, a Eva parou de chorar e ficou me olhando.
Não sei o que passou pela cabecinha dela. Eu só sei que me lembro daquele olhar e de como eu estava naquele instante: chorando, exausta, tentando me recompor.
Mas minha única rede de apoio precisava sair
E, no meio de tudo, um pensamento voltava: minha única rede de apoio presencial precisava sair para trabalhar.
Quando falo em rede de apoio, estou falando das pessoas com quem podemos contar para dividir os cuidados e as dificuldades do dia a dia. Isso pode incluir o companheiro, familiares, amigos, vizinhos ou alguém contratado para ajudar.
Na prática, é ter alguém que fique com o bebê enquanto a mãe descansa ou toma banho, prepare uma refeição, divida as tarefas da casa ou escute com atenção como ela está se sentindo.
Esse apoio também pode chegar de longe, por uma ligação ou mensagem. Quando digo que o Davi é minha única rede de apoio presencial, quero dizer que ele é a única pessoa por perto com quem posso dividir os cuidados da Eva. Quando ele sai para trabalhar, fico sem outra pessoa aqui para assumir esses cuidados e me permitir descansar ou fazer qualquer outra coisa que não seja voltado para os cuidados com a Eva.
O Davi também está cansado… Ele participa das madrugadas, pega a Eva, coloca no berço, tira de novo, tenta acalmá-la. Faz o que pode dentro das possibilidades dele. Só que há momentos em que ela quer muito o peito, quer ficar comigo, e nós seguimos tentando atravessar a noite.
Naquela manhã, ele deu as vitaminas dela, fez a troca e depois deu o café da manhã enquanto eu tentava me acalmar.
Esses cuidados fizeram diferença. Por um tempo, ele assumiu o que precisava ser feito enquanto eu chorava.
Mas o horário de sair estava chegando.
Foi muito difícil perceber que ele precisava ir e que eu continuaria ali, com a Eva, com a casa um caos, a mente um caos e o corpo um bagaço. Um dia inteiro pela frente, quando eu já estava tentando encontrar forças para aquela manhã.
Eu sabia por que ele precisava sair. O trabalho também faz parte do cuidado com a nossa família. Mesmo entendendo isso, eu sentia o quanto precisava que houvesse mais alguém.
Alguém que pudesse ficar. Que pudesse assumir os cuidados por um tempo suficiente para eu descansar de verdade.
E o dia vai seguindo seu fluxo…
Ao longo do dia, fui me recuperando. A Eva e eu fomos encontrando nosso ritmo de novo. Ainda assim, aquela manhã ficou em mim.
Quero escrever sobre ela porque também faz parte da minha maternidade. Faz parte da vida com a minha filha, junto com as descobertas que eu amo acompanhar e os momentos que quero guardar para sempre.
Hoje, quero conseguir olhar para aquela mãe que chorou com um pouco mais de carinho. Reconhecer o quanto estava difícil antes de cobrar dela qualquer outra coisa.
Eu amo ser mãe da Eva.
E eu também preciso dormir, aliviar minhas dores, comer, tomar banho…
Mas hoje de manhã, enquanto minha única rede de apoio se preparava para sair para trabalhar, eu senti profundamente essa necessidade.
Eu também precisava ser cuidada.
Se você se reconheceu em alguma parte desse relato, espero que encontre aqui espaço para falar do que está vivendo, inclusive do que é difícil colocar em palavras.
Com carinho,
Larissa 💜
Leia também:


